sexta-feira, maio 21

De toda a felicidade do mundo

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Foi ontem, pelas horas da tarde que acessei o site. Por lá havia uma vaga e outra reservas, meu nome lá me esperando descobrir por mim. E foi tanto sofrimento, tanta oração, tanta fé e vontade que só Gabriel García Márquez poderia narrar; terceiro lugar (Detran-PE) e em alguns meses, com fé em Deus, até mesmo antes, funcionário público.

Aí será um novo ciclo. Mais feliz. Mais feliz. A literatura me aguardava, e por um pouco mais de tempo me aguardará por completo e apaixonado.

domingo, maio 16

FÊLISSIDADI

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Mar, pedras, terras.
Onde está a felicidade?
Por navios, carros, aviões.
Onde está a felicidade?
Ando, paro e penso.
Onde está a felicidade?
Pergunto, calo e canto.
Onde está a felicidade?

As pessoas que muitos amam,
são só amadas depois de mortas.
Ah, diz a quem ama que fale que ama,
não seja omisso.

A felicidade está onde nós queremos vê-la,
e velar a tristeza é sentir uma vida morta.
E não existe distância em tempos de internet,
deveras só haver muita nostalgia,
mas aí também reside a calma.

Ama, ama, ama quem está por perto.
E se ama quem de longe está,
aprende a amar quando perto ela estiver.
Recolhe todo amor e dissipa no encontro mágico.

E não pergunte qual o caminho para a felicidade...
Na verdade é o que dizem:
A felicidade é o caminho.

ÔôôôôÔ

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Meu mel da minha flor,
te beijo,
sou o beija-flor.
Encanto que se formou,
pelos cantos se brotou.
Feito bosque habitamos o fervor,
entrelaçando nossos corpos no prazer da dor.
Te respeito, me beija.
Eu sou o beija-flor.
Ao te beijar posso ser beijado,
te tenho amado além dos jardins das saudades.
Tu tens amado outro coração maldito,
eu tenho dito...
Repito: sou teu amor.
Somente eu sei o doce seu sabor.

sexta-feira, maio 14

É possível salvar Santiago Nasar?

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As facas brilham e a capa do livro diz ser uma morte inevitável. Saibamos: Santiago morrerá, como um protaganista pode morrer, meu Deus? Todos morremos, exceto em livros nos quais as histórias param e ficam intermináveis; se levarmos o futuro pela suposição chegaremos ao ponto de simpatizar, antipatizar com personagens... e aí tudo estará atrelado a nossa amizade com o ser ficcional que deitou na nossa cama e contou a sua história.

Se eu conseguisse dizer sobre os sonhos com árvores... Se eu pudesse colocá-lo na velha rotina, no dia em que deveria está armado... Se eu fosse capaz de consolar a figura triste que tornou-se a sua mãe... Ah, Santiago, eu faria de tudo por compaixão de ti, meio que cavaleiro da triste figura. E eu releio a sua história procurando uma fresta de luminosidade feliz. Tão jovem era, e tão jovem ficou.

A única coisa que posso fazer por você é imaginar-te no paraíso. E olhe que você não era tão perfeito assim... É como dizem: se o céu fosse feito de pessoas perfeitas, não seria povoado por espíritos humanos. Gabriel Garcia Marquez mais uma vez pega-me retraído e me mostra o interior de mim mesmo.


(Dica de Leitura e Referência para Interpretação ampla do Texto: Crônica de Uma Morte Anunciada, Gabriel Garcia Marquez)

domingo, maio 9

Tenhamos Medo

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Tenho medo de escrever um texto perfeito e não registrá-lo.
Tenha medo ao beber água com nariz mergulhado pelas extremidades do copo.
Tenho medo quando acendo a lâmpada de pés descalços e no banheiro molhado.
Tenha medo do que vem do céu, pode ser um meteorito.
Tenha medo das bactérias, fungos, vírus que te ameaçam do amanhecer ao madrugar.
Tenho medo de amar, pois posso ser machucado e entrar em depressão.
Tenha medo de arriscar-se, e assim morrer.
Tenha medo ao pagar um boleto de um concurso por temer não passar.
Tenha medo de enfrentar a concorrência do vestibular.
Tenha medo de deixar uma criança de doze anos ir para a escola sem acompanhante.
Tenha medo de tocar em objetos desconhecidos.
Tenho medo de conversar com estranhos, assim não fazendo amizades.
Tenha medo de confiar nos amigos.
Tenha medo de levantar cedo e caminhar pelas ruas.
Tenha medo de comprar inseticida por poder contaminar os alimentos.
Tenha medo de comer alimentos enlatados.
Tenho medo de beber água de coco nos carrinhos das ruas da cidade.
Tenha medo de andar de pés descalços pelas praias do Brasil.

Tenha medo, tenha... e não viverás!
eu tenha medo e serei um vegetal!
vegetaremos?

Tenha medo e cante.
Tenha medo e dance.
Tenha medo e enfrente-o.
Tenha medo e levante-se.
Tenha medo e revolucione.
Tenha medo e serás humano.

O medo é o melhor conflito nos melhores enredos. Use-o!

Dia de Ser Feliz

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Tirei o dia certo para ser feliz. O dia de fugir da rotina sem colocar minha vida em risco, aliás o único risco era o risco de morrer... morrer de alegria! Foi sexta-feira, 07 de maio de 2010, eu e meu irmão fomos ao Nilo Coelho, ao N7, no dia 07. E fomos calados, parecia que poupávamos energia para o sábado que ameaçava irromper em instantes durante o trajeto ainda quase iniciado. Eis que vamos ao sábado.

E vamos direto para o cenário noturno, no qual combinado ficou de irmos ao circo, eu, minha prima, minha prima mais nova e meu irmão quase mais novo. E fomos. E por lá tramamos algo para fugir do tédio que assombrava a arquibancada arrependida de ter pago R$ 2,00 pelo ingresso.

- Vamos invadir o picadeiro?

- Eu duvído! Eu duvído que você faça isso!

- Vamos, Tarciane?

- Vamos!

Minha prima e meu irmão quase mais novo foram para a arquibancada esperar o nosso medo invisível no picadeiro que estava com dois palhaços atuando. Eu e minha prima mais nova estávamos caminhando sorrateiramente pelo inexorável destino das dezenas de olhos querentes de algo novo, algo feito de escape a cores novas. Bem próximos da lona que escondia o palco dos bastidores...

- Você vai mesmo?

Eu disse que iria, e fui, e segurei a mão dela e fomos... Dezenas de cores, os palhaços de costa para nós até que perceberam os olhares intrigados do que havia por trás deles. E por trás dos fazedores de alegria, nossa felicidade e coragem de está ali. Por alguns segundos me senti feliz... uma felicidade que talvez não tenha nome nem definição, talvez nem fosse felicidade e sim outro nome que não sei o nome nem como explicar. Saimos de cena sem ninguém por nos tirar de lá. Saimos pois já havia satisfeito os olhares dos nossos primos e as pessoas.

- Erraram a porta do cemitério, foi? - perguntou um dos palhaços.

(risos)
Devemos ter nossos próprios palhaços em tal mundo doente, muito doente. Sejamos, e tenhamos um picadeiro a todos.

terça-feira, maio 4

Ontem

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Briguei com o namorado de minha mãe. Ameaçei sair de casa. Liguei para Polícia. Argumentei. Chorei. Gritei. Conversei. Fiz um acordo. Vi minha mãe chorar. Vi minha mãe implorar. Vi minha vó resistir a um desmaio. Eu não lembro de me sentir tão homem quanto o dia de ontem. Não precisei bater nem apanhar, apenas fiquei firme como uma rocha; sabia está sendo guiado pelo espírito santo, lembrei de Florentino Ariza umas oito vezes... Tenho certeza de ter feito a coisa certa, mas o silêncio de minha mãe torna-me culpado. Sei que não sou.

As Cicatrizes

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Ilustração de vento, dor e calma
corria na praia sem medo de nada.
O céu bonito, a areia quente.
O tempo instável, a brisa morna.
Foi lamentando o inevitável
ainda de pés descalços calejados de sofrer
perdurava a sua existência imperceptível,
não notavam nem ligavam nem amavam sequer sorriam.
Receberam sorrisos transparentes
com dentes cerrados de tamanha farsa.
Vivera feliz antes de notarem os estigmas,
e agora ali de traje de banho ultrajando uma coragem
percebia os olhares ratificados de nojo como se caregasse lepra.
Olhava seu próprio corpo e de tanta vergonha deixou-se à submersão marítima.
Correra ao mar imenso,
parecia correr para seu interior.
E por lá ficou.
Lá ficou.
Sem cor.

domingo, maio 2

Paz...

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Há um vilarejo ali onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe;
Paraiso se mudou para lá

Por cima das casas, cal;
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes;
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá

Vem andar e voa (3x)

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão

Flores enfeitando
..............................Os caminhos, os vestidos, os destinos e essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for*

Vídeo

A pintura é de Nicolas Poussin, com o nome de "Summer or Ruth and Booz"; a música "Vilarejo", interpretação e composição, de Marisa Monte; o vídeo tem a direção de Andrucha Waddington, Paulo de Barros e Ricardo Della Rosa.