Minha vó me disse que deitada sobre a cama próxima da janela escutava a banda passar, e ainda com dores do parto de minha mãe, no dia 07 de Setembro de 1968, conseguiu se sustentar nas beiras e observar o desfile e a comunhão de uma sociedade. E eu fiquei encantado, pois ela apontou para a janela e me disse com um tom tão suave e nostálgico.
Minha mãe tinha nascido, e minha história estava mais próxima de começar. Minha vó nasceu em 02 de Julho (independência da Bahia), minha mãe nasceu em 07 de Setembro (indepedência...exatamente) e eu em 27 de Março, um espírito louco por liberdade e amor intenso, um paradoxo, mas ainda não é independência de nada que eu saiba. Do teatro? De Tarantino?
Que a vida quer da gente durante a vida toda?
terça-feira, setembro 7
segunda-feira, setembro 6
Não era eu te amo
2
A- Quero te dizer uma coisa.
B- O quê?
A- Só sei que posso dizer que quero te dizer.
B- Não entendo.
A- Talvez, seja isso.
B- Isso?!
A- Talvez, você não entendesse.
B- Diga, vou entender, diga, por favor.
A- Falta um meio, um caminho, algo, o ar necessário para eu produzir o som das palavras...
B- Posso fazer alguma coisa para o som, enfim?
A- Pode. Pode, sim. Me ajuda, me ajuda a construir essa estrada, esse caminho, essa atmosfera. Você pode?
B- Onde você quer chegar?
(C entra e olha, sai)
B- Onde?
B- O quê?
A- Só sei que posso dizer que quero te dizer.
B- Não entendo.
A- Talvez, seja isso.
B- Isso?!
A- Talvez, você não entendesse.
B- Diga, vou entender, diga, por favor.
A- Falta um meio, um caminho, algo, o ar necessário para eu produzir o som das palavras...
B- Posso fazer alguma coisa para o som, enfim?
A- Pode. Pode, sim. Me ajuda, me ajuda a construir essa estrada, esse caminho, essa atmosfera. Você pode?
B- Onde você quer chegar?
(C entra e olha, sai)
B- Onde?
domingo, setembro 5
Indo e Vindo
3
Depois, você perceberá as coisas e as afastará para seu eu chegar até ti. E irá desentupir a janela do teu quarto para algum cheiro dormir do teu lado. A vida é assim mesmo, um misto de vontade e representação.
Aí depois, depois, eu me esqueço de regar as flores. E quando eu me lembrar, elas estarão prontas para o meu próprio sepultamento. Por que falhamos tanto em esquecer de nós mesmos?
Em seguida, depois do depois, eu prometo que procurarei seu olhar no reflexo do meu olhar e uma vontade imensa sufocará tudo que me deixa forte. E eu estarei fraco, mas serei forte. Mais fraco, mas terrivelmente e estupidamente mais forte. Forte, com a cólera suficiente para fazer do vidro estilhaços e fazer das minhas imagens, pequenas em cada caco, o teu sofrimento, o teu remorso, o teu definhar constante.
E quando a gente procurar pelo antes, a gente saberá que o antes já não existe. Pelo menos o antes da gente não mais existirá, posto que agora é tão somente e só seu.
E de que adiantará seu chegar próximo de ti mesmo, se eu estarei vigiando teu inconsciente e poderei provocar o desespero e ansiedade inútil? De que adiantará o aroma das flores do seu jardim, você recordará que são minhas flores preferidas e que eu sempre fui o jardineiro dessas flores que doravante serão ignoradas por medo de lembra-se de mim? Será você capaz de tirar todos os significados que construímos juntos?
Você consegue me entender agora e depois de não mais existir? Vamos, tente! Eu sempre estarei do seu lado ou no jardim de tua casa! Em verdade, nosso jardim. Eu beijava as flores e você me apreciara, eu tão rápido com minhas pequenas asas e você tão linda contra o vento feroz soprando seus cabelos dourados. Vamos, tente, dona do jardim!
Aí depois, depois, eu me esqueço de regar as flores. E quando eu me lembrar, elas estarão prontas para o meu próprio sepultamento. Por que falhamos tanto em esquecer de nós mesmos?
Em seguida, depois do depois, eu prometo que procurarei seu olhar no reflexo do meu olhar e uma vontade imensa sufocará tudo que me deixa forte. E eu estarei fraco, mas serei forte. Mais fraco, mas terrivelmente e estupidamente mais forte. Forte, com a cólera suficiente para fazer do vidro estilhaços e fazer das minhas imagens, pequenas em cada caco, o teu sofrimento, o teu remorso, o teu definhar constante.
E quando a gente procurar pelo antes, a gente saberá que o antes já não existe. Pelo menos o antes da gente não mais existirá, posto que agora é tão somente e só seu.
E de que adiantará seu chegar próximo de ti mesmo, se eu estarei vigiando teu inconsciente e poderei provocar o desespero e ansiedade inútil? De que adiantará o aroma das flores do seu jardim, você recordará que são minhas flores preferidas e que eu sempre fui o jardineiro dessas flores que doravante serão ignoradas por medo de lembra-se de mim? Será você capaz de tirar todos os significados que construímos juntos?
Você consegue me entender agora e depois de não mais existir? Vamos, tente! Eu sempre estarei do seu lado ou no jardim de tua casa! Em verdade, nosso jardim. Eu beijava as flores e você me apreciara, eu tão rápido com minhas pequenas asas e você tão linda contra o vento feroz soprando seus cabelos dourados. Vamos, tente, dona do jardim!
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