Nesses dias,
Nesses dias em que inventei uns quatro amores,
tive de sofrer com cada adeus.
E com adeus chorado,
com adeus desapegado,
fiquei despedaçado.
Só Dioniso sabe a dor que é enfrentar um titã.
Amores criados dentro de mim,
que portanto devem ser destruídos dentro de mim.
Eu não sou suficiente.
Mas como disse o filósofo:
"Aquilo que não me destrói, fortalece-me".
Eis que sou um homem digno da destruição.
Um homem feito de pedras, escombros, destroços.
Um homem multifacetado.
Um homem borboleta.
Um homem beija-flor.
O mais raro dos homens.
segunda-feira, dezembro 20
quinta-feira, dezembro 16
Besteira
1
Telhado,
calhas,
água.
Pedras,
cacos,
vidros.
Estrada,
bagagem,
ventania.
Areia,
terra,
temporal.
Viagem,
despedida,
adeus.
calhas,
água.
Pedras,
cacos,
vidros.
Estrada,
bagagem,
ventania.
Areia,
terra,
temporal.
Viagem,
despedida,
adeus.
domingo, novembro 7
Densidade
0
Isto não saber de nada.
De nada, por nada.
Se soube,
estava errado.
A morte mesmo não sabe de nada,
não sabe sequer a hora de chegar.
Ela só vem.
Não sei se vale a pena perguntar,
encher de interrogações as páginas de um livro.
Não sei se vale a pena calar
e escrever sobre o silêncio
dizendo o que ele é.
Ele só vem.
O niilismo tem me atormentado,
minha visão tem ficado escassa,
as coisas tem ganhado mais intensidade
e o céu,
o céu que amo e sempre amei,
o céu tem ameaçado me esmagar
a começar pela cabeça.
Em tudo,
se sei
é que não sei.
A realidade me apavora.
Eu agiganto-me,
e o casulo é cada vez pequeno.
A realidade é de diamante
tal qual o casulo.
Mas ainda assim,
ainda contudo,
ainda não obstante,
ainda apesar de,
ainda assim,
eu vivo,
pressuposto de todo o nada.
Obrigado por existir
por nada.
De nada, por nada.
Se soube,
estava errado.
A morte mesmo não sabe de nada,
não sabe sequer a hora de chegar.
Ela só vem.
Não sei se vale a pena perguntar,
encher de interrogações as páginas de um livro.
Não sei se vale a pena calar
e escrever sobre o silêncio
dizendo o que ele é.
Ele só vem.
O niilismo tem me atormentado,
minha visão tem ficado escassa,
as coisas tem ganhado mais intensidade
e o céu,
o céu que amo e sempre amei,
o céu tem ameaçado me esmagar
a começar pela cabeça.
Em tudo,
se sei
é que não sei.
A realidade me apavora.
Eu agiganto-me,
e o casulo é cada vez pequeno.
A realidade é de diamante
tal qual o casulo.
Mas ainda assim,
ainda contudo,
ainda não obstante,
ainda apesar de,
ainda assim,
eu vivo,
pressuposto de todo o nada.
Obrigado por existir
por nada.
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