segunda-feira, março 22

Devolva-me, Adriana Calcanhoto

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Decidem acabar o relacionamento, um deles mais bem decidido que o outro. Uma composição que leva o amor por um perspectiva lúcida e plenamente racional (nota-se assim na interpretação de Adriana Calcanhoto).
Então, este "homem" que pede para deixá-lo "sozinho" se revela diferente ao abrir mão da "companheira" em detrimento de uma felicidade "com outro 'rapaz'". O resultado é uma apatia aos sensíveis.

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim vai ser melhor meu bem

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me


Podemos ter diversas leituras temáticas:
1- O fim do relacionamento por uma possível traição
2- A solidão de quem ama
3- O que é o amor?
...

Percebemos a história em níveis crescentes. Primeiro há o pedido de destruição das coisas vivenciadas, em seguida vem a solicitação do que liga as duas vidas e consequentemente a possibilidade do rompimento amoroso.
Sim, possibilidade.
Quando o eu-lírico recorre ao "Deixe-me sozinho" podemos notar duas construções: ausentar-se do lugar ou evadir-se da vida. Interessante mesmo é a recorrência do verbo transitivo direto e indireto DEVOLVER, pois devolve-se algo para alguém. No caso é um "retrato", mas a canção no geral não trata de um retrato, trata de duas vidas. Há culturas que dizem que o retrato aprisiona espíritos, se houver contextualização da música notaremos que se pede a vida já passada, o tempo já passado.

Canção: Devolva-me / Compositor(es): Lilian Knapp e Renato Barros / Interprete: Adriana Calcanhoto

2 Response to Devolva-me, Adriana Calcanhoto

22 de março de 2010 16:55

Aqui, eu tentei fazer uma leitura semiótica do texto...

Adianto que continuarei a praticar...

T.
22 de março de 2010 23:07

:o
é uma das músicas que eu mais gosto de ouvir e cantar junto. E nunca tinha parado pra pensar com mais profundidade...
Muito bom, parabéns!